quarta-feira, 5 de março de 2008

Resenha do filme "Tróia"

Antes de criticar o filme convém explicitar o enredo do mesmo.
A película é sobre a guerra que povoa o imaginário de todos, inclusive aqueles que nada sabem sobre ela. Pois basta falar gregos, troianos, presente de grego, e outros detalhes que segue o famoso "Ah! A coisa do cavalo..."
Bem, desde já deixo dito que há a versão do filme da estória, a versão homérica da Ilíada e a lenda que chega por tradição oral.
O filmado mostra, inicialmente, como Agamenon consolidou seu poder entre os gregos, valendo-se das habilidades guerreiras de Aquiles. Desde este momento, começo da trama, já fica explícita a desavença e o atrito entre os personagens citados.
A trama segue a crescente com a mostra da embaixada da cidade de Tróia em solo espartano. Neste ponto os contornos são delimitados, Paris apaixona-se por Helena, rainha de Esparta, e esta foge com o primeiro. O ultraje feito ao rei de Esparta, irmão de Agamenon, é usado pelo último como via de realização de seus sonhos de grandeza (o tom pejorativo é proposital por o filme o alçar ao grau de vilão). Assim, dá-se início a marcha para a guerra. Agora é Gregos vs Troianos.
Todavia os helenos (gregos) necessitam de um trunfo. E o ás na manga é o "máquina zero" Aquiles, Príncipe guerreiro com movimentos que muito lembram Kung Fu (intercâmbio de civilizações? Não, nuance hollywoodiano mesmo.), fiel ao ideal que depois na História será materializado pelos ensinamentos de Aristóteles (na linha do tempo a Guerra de Tróia ocorreu muito antes do nascimento do filósofo mencionado). Na sequência ocorre o recrutamento de Aquiles (e seu primo Pátroclo) por Ulisses.
Guerra!
Os navios partem para a Ásia Menor, desembarque na praia, somente a falta de armas de fogo e artilharia deixam a cena devedora do desembarque na Normandia, o Dia D - A Operação Overlord (que pode ser experimentada no choque visual em filmes como "O Resgate do Soldado Ryan").
O combate flui, os gregos avançam, mas um ponto da trama se faz presente, o choque entre Agamenon e Aquiles. Tudo ocorre pela divisão dos espólios da batalha, em especial uma Serva de Apolo, Briseida, feita prisioneira (e futuramente recebendo o rótulo de escrava). Pelo desentendimento Aquiles se retira dos embates, os troianos tem folga e passam a aproveitar os benefícios das vitórias.
A ironia se faz presente... o primo usando a armadura de Aquiles desafia o campeão inimigo, Heitor. Este vence.
Aqui há a conhecidência com a versão de Homero. O poema trata da ira de Aquiles e como em sua arrogância narcisista ele fica injuriado e dirige sua fúria contra Heitor (Fúria que se soma ao ultraje recebido de Agamenon). O poeta grego (ou poetas, para aqueles familiarizados com a polêmica que cerca a figura de Homero) mostra como o herói grego exalta a si mesmo pelos atos, pelas proezas bélicas, e a glória que lhe é roubada é uma ofensa que ele (Aquiles, filho de um rei humano com uma deusa) não pode tolerar. Assim, a balança dos combates volta a pender para o lado grego... Heitor cai morto. Porém as muralhas de Tróia são intransponíveis.
Um ponto que chama a atenção é o amor que Príamo, rei de Tróia, pai de Heitor, demonstra no diálogo secreto com Aquiles. Que não há amor como o de um pai para um filho, mesmo que o modo de externar tenha que ser póstumo. O beijo na mão do assassino.
Da trégua feita por Príamo e Aquiles para velar Heitor, Ulisses tem a idéia que levará os gregos à vitória final... o ardil (o cavalo gigante oco).
Com a utilização do cavalo, os gregos invadem Tróia e o combate dentro das muralhas leva apenas para um resultado, a cidade cai.
Agamenon morre por sua ganância, o defeito narrado leva a descuidos.
Aquiles morre aos pés de um templo do Deus que ofendeu no seu desembarque, Apolo. Porém sua morte não é gerada por suas falhas de caráter (vaidade, arrogância), mas sim morre de forma honrada, tentando salvar aquela que passou a amar, Briseida. Tróia está em ruínas, mas cidadãos conseguem fugir e a passagem simbólica da espada troiana, mostra a continuidade da cultura. Homero não narra esta parte, e a tradição lendária expõe que Aquiles nunca entrou na cidade, pois foi profetizado e realizado pelos deuses olímpicos, foi seu filho Neoptólemo (sim do Aquiles, com uma princesa, enquanto escondido numa corte alienígena, forma encontrada pela mãe-deusa para tentar evitar a participação na luta e, consequente, morte) quem concluiu os trabalhos.
A estória mostra como a civilização grega muda o ideal perseguido: do ideal físico (Aquiles) para o raciocínio (Ulisses). Tal visão é objeto da tradição oral que envolve a Guerra de Tróia.
Para concluir, o filme traz elementos fundamentais da tradição que envolve o mito de Tróia. Mostra as características das personalidades dos personagens, ressalta os benefícios e as desvantagens de cada uma. Ao adequar a estória aos moldes exigidos pela indústria cinematográfica, pontos marcantes são deixados de lado, a questão dos costumes da época (o primo na verdade não é primo, é outra coisa), bem como a influência dos deuses no cotidiano. Outros pontos são acrescentados, que não figuram em Homero e na tradição, em especial a visão maniqueísta (a clara distinção entre bem e mal, personagens heróicos e vilões). O filme, todavia, ao ser classificado deve ser enfocado como o que é: entretenimento. E para isto é bem sucedido, ele é longo, mas não dá para perceber o lapso de tempo gasto, assim, polegares para cima.

9 comentários:

Kelvim Albuquerque disse...

Simplesmente uma grande ajudona! Tinha que fazer o resumo (Resenha) desse filme... mas não o assisti. E agora estou eu aqui com a resenha em mãos! Muito obrigado! Acaba de "Derrubar minha tarefa" ^^'

Natália disse...

Briigadãão, foiii uma ajuda em tanto. Derrubaram a minha tarefa!

Samyra disse...

iii como foi uma ajuda viiu!
esse derrubou com gosto!
kkkkkkkkkkkkkk'

Samyra disse...

iii como foi uma ajuda viiu!
esse derrubou com gosto!
kkkkkkkkkkkkkk'

tales disse...

vc me agudou muito postando isto na net valeu lek
pela(resenha)

๖ۣۣۜۜMoreninho disse...

Simplismente me ajudou muito, trabalho aos pés da letra, e bem feito
muito obrigado '-'

๖ۣۣۜۜMoreninho disse...

Simplismente me ajudou, muito trabalho aos pés da letra , muito obrigado continue assim . ;D

Ana carolina camargo disse...

o que o ''primo'' era dele afinal?

Ana carolina camargo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.