terça-feira, 23 de setembro de 2008

Rambo!



Para não perder o jeito, citação do Rambo (é só achar no trailer):

"Viva por nada ou morra por algo."

A Influência do Modelo de Mundo Aristotélico.

1. Introdução.

Ao contemplar o trabalho de metafísica com Aristóteles, a intenção é colocar à vista a grandiosidade de pensamento desse filósofo. Sua organização é completa, pois mesmo na divisão obtém um elo das partes estudadas, possibilitando uma compreensão minuciosa sobre o tema tratado: as causas primeiras.
Esta preocupação do pensador com o ser contribuiu para uma nova corrente do pensamento: a metafísica. Esta enquanto a procura pelas causas primeiras e do ser enquanto ser, afirmando a possibilidade de qualquer existência do ser, e este, o é de vários sentidos.
Esta multiplicidade do ser o torna um indivíduo único particular, passa a ser considerado como algo singular e particular, ou seja, uma substância composta por elementos que definem a sua essência.


2. Metafísica Aristotélica.

Aristóteles distinguiu as ciências em três caminhos: ciências teoréticas que buscam o saber em si mesmas; ciências práticas que buscam o saber para alcançar a moral perfeita;e, as ciências poiéticas que estão relacionadas a busca do saber com o intuito de produzir um objeto. A metafísica estaria anexada na primeira ciência: Ciência Prática.
O termo “metafísica” não é aristotélico, o pensador para fazer esta referência utiliza a expressão “Filosofia primeira” e “teologia”, em oposição às restantes. Seu grande passo na filosofia primeira foi a pergunta do ser enquanto ser ou as causas primeiras, ou seja, a substância[1], e, que o ser se diz de muitos modos, havendo muitos sentidos para o ser, uma equivocidade do ser.
O filósofo possui um conjunto de conceitos que organiza sua metafísica, que são: ser enquanto ser; ser enquanto verdade; ser enquanto substância; e, como incorporação do devir ou motor imóvel. Essas definições estão de acordo com a tradição filosófica quanto entre si, pois é uma transcendente a outra, em formas hierárquicas de organização.
Aristóteles aponta para a importância da metafísica como uma ciência livre que vale em si e por si mesma, a ponto de afirmar “Todas as outras ciências podem ser mais necessárias ao homem, mas superior a esta nenhuma”.
Posto isso, o pensador estabeleceu quatro causas que devem ser pensadas para desvendar a busca das causas primeiras, são elas: causa formal, forma; causa material, matéria; causa eficiente, o que gera; e, causa final, objetivo da existência.
A multiplicidade do ser entendida por Aristóteles, o fez classificar o ser em quatro equipes: o ser como categorias, gêneros do ser com fundamentação na substância que possibilita a existência das restantes ( qualidade, quantidade, relação, ação, paixão, lugar, tempo, ter e morrer); o ser como ato e potência, o ser em ato é em potência, mas o ser em potência pode não ser ato; o ser como acidente, casualidade; e, o ser como verdadeiro, a lógica.
A metafísica tem seu enfoque nas duas primeiras categorias, mas como se concentra no ser e sua multiplicidade, também o estuda. Essa divisão em grupos dos entes conferiu a Aristóteles o mérito de organizador do mundo em gênero e espécies por sua classificação dos entes.


2.1. Metafísica em geral.

Em sentido amplo, metafísica é ramo da Filosofia. Seu foco de estudo está no questionamento do mundo, da realidade, do ser. A origem do nome remonta a Aristóteles, porém não foi este que denominou. Pesquisadores ao encontrar manuscritos do filósofo, encontraram obras com os títulos, todavia, uma obra que falava sobre o mundo de um modo distinto daquele vislumbrado no documento intitulado física, assim, afirmaram ser algo além da física. Tal como o nome implica, os organizadores deixaram a obra inominada depois do livro da física, e o chamaram metafísica.
A derivação do léxico vem do grego μετά (metá), significando depois/posterior, e φυσικά (physiká), que compreende as palavras usadas para explicar a matéria no teorizado na antiguidade e recepcionado por Aristóteles, formando o posterior/depois/além da física. No curso do tempo, outros filósofos se detém em tal assunto, e como em Immanuel Kant, a discussão passa a abranger os pontos Deus, alma e liberdade, pois caros à natureza humana e fonte de muitos questionamentos e conflitos.


2.2. A Lógica como Instrumento.

Quando se vislumbra o conjunto da obra aristotélica, a lógica tem lugar de preeminência. Tal ocorre pelo formato dado à lógica, em que o método empregado servia como mecanismo verificador da realidade analisada.
Para Aristóteles a lógica válida era a do silogismo. Da utilização do silogismo, aquele que examina o todo extrai por proposições a realidade, aplica o esquema de raciocínio da dedução para construir o entendimento.
Todavia a lógica tal como o pensador grego a estrutura se mantém inalterada até o século XIX, onde com a nova feição dada pela lógica matemática, o sistema de aplicação aponta um novo viés.
Retornando à lógica no formato dado por Aristóteles, outro ponto se faz presente, tal como o método analítico de abordagem de elementos de pesquisa. A analítica constante no Organon é, em verdade, o rótulo dado à lógica aristotélica, enquanto o termo “lógica” é dirigido para a dialética silogística. Do opúsculo do autor, os trabalhos lógicos estão divididos em seis (6) temas:
1. Categoria;
2. Interpretação;
3. Analítica Primeira;
4. Analítica Segunda;
5. Tópicos;
6. Erística.
Assim, ao empregar o silogismo, ou lógica de termos, o filósofo fazia um julgamento das proposições componentes conforme as relações que se estabeleciam para, a luz das premissas, concluir. Já a garantia da verdade ficava a cargo da indução, em que por proceder do particular para o geral, aquele que examina passa de uma investigação causal para princípios mais puros. Disto, ao empregar no exame do mundo, Aristóteles deduzia as máximas da física, porém quando a questão se voltava a elementos como a realidade em si, ou a causa primeira, tinha-se a lógica sendo utilizada para perscrutar na alçada compreendida pela metafísica.


2.3. Motor Imóvel.

Como explicar o movimento? Seria este resultado de uma substância supra-sensível?
Com estas perguntas Aristóteles chega a um princípio (o infere) pra que possa explicar a fonte das esferas de existência, do que depende a natureza e a vida. Tal princípio original foi batizado de motor imóvel. E foi assim denominado por todo o movimento tem de ser gerado por um movimento anterior, mas aquilo que gerou o primeiro movimento, ante não ter sido gerado por nenhum outro, impreterivelmente deveria estar imóvel. Logo, motor, por gerar movimento, e imóvel, por ser o original, sem nada que o movimente é aquele que está parado.
Com isto, o filósofo grego traça um diferencial quanto ao que o homem pode saber. Ao falar do motor imóvel, Aristóteles rompe com o transcendente de Platão, dizendo que alguns elementos são inteligências, supra-sensíveis, enquanto outros são inteligíveis, um passo adiante do sensível (e aqui enquadra as idéias e formas de seu mestre).
Tal filigrana no pensar, possibilita aos medievais conceberem Deus, e identificar o pensamento divino com o motor imóvel.


3. Conclusão.

Do todo exposto, se tem as definições metafísicas em Aristóteles, bem como a identificação do termo “metafísica” com o rótulo ciência das causas.
Ao questionar o ser, há a possibilidade de chamá-lo por vários modos, seja acidente, categoria, verdade ou potência e ato. A ciência do ser se preocupou em categorizar, mais do que traçar um limite cabal. Seriam os elementos relacionados com o ser: qualidade, quantidade, relação, ação, paixão, lugar, tempo, posse, fixação (jazer) e substância.
Substância é deveras pontual, e como tal geradora de controvérsias. Por tais motivos destacada e estudada em questionamento específico, a ciência da substância. O que justifica tal ênfase são a proeminência como categoria e referir todas as demais e cotejar com os diversos significados de ser. O resultado obtido configura existirem as substâncias sensíveis corruptíveis[2], as substâncias sensíveis incorruptíveis[3] e as supra-sensíveis[4]. E acrescenta ser a substância constituída de matéria e forma.
Com o conjunto metafísico aristotélico advém o estudo da causa primeira, conseqüentemente, o exame da substância supra-sensível. Como núcleo do pensado neste ramo se tem que para obter a demonstração desta, as esferas de exame são o tempo e o movimento. A causa primeira (motor imóvel) só pode ser alcançada frente à causa final (atração), redundando em movimento, existente no tempo. A realidade, o mundo, é, assim, atraída pela perfeição contida no motor imóvel, e para ter esta perfeição não tem matéria (não tem potência, é puro ato, constituído só de forma).
Aristóteles inova quanto ao modelo platônico, e ao superar o modelo dualista fertiliza o solo, com a atribuição de valor ao sensível, para pensadores futuros. Daí surgindo os contornos da escolástica[5], a retomada renascentista e a física moderna.




REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Metafísica. Madrid: Editorial Gredos, 1998.

HUISMAN, Denis. Dicionário dos filósofos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Volume 1. São Paulo: Paulus, 2003.
[1] Para Aristóteles cada ente comporta a sua essência. A substância possui matéria e forma. A matéria permite a mudança, pois é pura potência, enquanto que a forma possui essência, que não é universal. Há substâncias que não possuem matéria, que são as substâncias puras não estando sujeita a mudanças, já a substância composta é aquela que define o que pode ser composto, “qualidades” da essência.
[2] Os materiais palpáveis como bronze. Aqueles que Aristóteles expõe como encontrados no mundo sublunar.
[3] Aquelas que possuem éter na composição. Habitantes da esfera supra lunar, como os corpos celestes.
[4] Incorruptíveis por natureza, as inteligências. Os medievais depois construirão a tese do pensamento divino com esta feição da substância.
[5] Pensamento medieval.

O Bom, o Mal e o Feio... e a frase do dia!


"A dois tipos de homens, aqueles com armas carregadas e aqueles que cavam. Então, cave!"

Personagem de Clint Eastwood.

sábado, 30 de agosto de 2008

Política de Capa e Espada



1 INTRODUÇÃO.

A temática do presente artigo está em como uma obra cinematográfica pode ajudar a entender uma época passada. Para lançar uma luz sobre a temática da dinâmica social do século XVII, bem como a criação de personagens de ficção pode ajudar a entender a operacionalidade de alguns personagens no fluxo histórico. O real ponto objetivado é mostrar os fatos e idéias relacionadas para que com a apreensão dos dados as pessoas possam entender o percurso histórico.
Um dos pontos constantes é a revisão de atos tidos, pela História, como políticos. Cotejando com ensinamentos filosóficos para a obtenção do poder e manutenção de um Estado. Em linhas gerais, demonstrar a importância dos eventos estudados, e da própria Filosofia, estão na ordem ao vislumbrar o filme, com a devida sombra do livro que deu origem à estória.
O filme: OS TRÊS MOSQUETEIROS (The Three Musketeers, AUS/UK/USA 1993). Direção de Stephen Herek. Elenco: Charlie Sheen, Kiefer Sutherland, Chris O’ Donnell. 105 min.


2 A figura do cardeal richelieu.

A primeira pergunta, para aqueles pouco familiares com a linha histórica de poder da França, e também daquela sobre os três mosqueteiros, seria “quem é o cardeal mencionado no título deste ponto?”.
O Cardeal é indivíduo chave nos três pilares do presente artigo (fato histórico, filme e livro). No estudo dos eventos reais, ele foi o principal articulador e organizador da monarquia francesa ruma ao Absolutismo. Desempenhou suas funções de maneira devota e, assim, foi reconhecido pela casa reinante. Por seus atos uma dinastia obteve o poder e o país recebeu seus contornos.
Na imaginação do autor francês, muito das características do Richelieu histórico é mantido. Mostrado como alguém comprometido com o seu país, tenta com seus atos se pautar no que crê ser o mais benéfico para o Estado e capaz de gerar uma solidez nacional centrada na figura do monarca. Nesta mídia, ele não é pintado com o espectro extremo de preto ou branco, mas sim o cinza de um sujeito com uma agenda em mente, em que o ponderar de alternativas leva em conta um fim.
Já na ficção mais moderna ele é um dos personagens principais, o antagonista. São características, tanto na esfera literária como na visual, a de governante poderoso, frio, calculista, dominador, e ambicioso, que ofusca, sempre que a oportunidade surge, o ingênuo rei.
Como a ótica do parágrafo anterior simplifica o religioso, o resultado é simples este foi feito para que o espectador o odeie. Contudo, o histórico e o literário agem de forma a sua visão de mundo se igualar à metáfora do caleidoscópio, não de fala em filtro de ótica, mas sim em prisma de ideologias. O que emerge para aquele que já ouviu máximas de política é se “os fins justificam os meios” cabem ao eixo de condução dele. Será que Richelieu leu Maquiavel? Provavelmente sim, ele além de estadista era um estudioso e as evidências são claras ou as conhecidências são absurdas (de tão similares os nortes adotados).
A sociedade do século XVII passava de terras com um lorde que ditava as leis para um governante que monopolizava o uso da violência. A figura dos senhores locais desvanecia para a de nobres na corte de um monarca. E este resultado era o objetivado pelo homem de Deus que o item presente trata. Ao analisar como a França fez a transição deste período parece seguir os passos estabelecidos por Maquiavel, os resultados foram a unificação da legislação, a direção restou nacional (inclusive quanto a religião), a diplomacia (e a guerra) recebeu foco (limitar a influência dos Habsburgo na Europa) e o poder estava centralizado na figura do príncipe/rei.
Mesmo com todo o revelado, o cardeal permanece cardeal, em alguns elementos ele retoma o ideal de uma realidade anterior, lembra pontos medievais. Richelieu defende, em seu Testamento político, a natureza divina do monarca. Mantém em mente, a necessidade de categorias de pessoas para a grandeza da França, que o rei mesmo determinado por Deus depende de seus nobres, da sociedade de corte, e, também, do povo. Fato que será comprovado pelo monarca sucessor, Luís XIV, ao travar combate com a liga dos Absburgos, em que já sem a figura de Premier Ministre, o sucessor de Richelieu – Cardeal Mazzarino – já havia morrido e o rei desempenhava a função de chefe de Estado e chefe de governo em toda a sua amplitude, necessitou do suporte popular para manter a máquina de guerra francesa abastecida.


3 A OBRA DE ALEXANDRE DUMAS: “UMA POR TODAS...”.

O livro escrito por Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros, é parte da trilogia conhecida como estórias de D’Artagnan. A obra mencionada é apenas o primeiro capítulo da vida do herói. As seqüências são os volumes intitulados Vinte anos depois e O Visconde de Bragelonne. Todavia, deve-se mencionar que de início D’Artagnan não é um mosqueteiro, o opúsculo narra o percurso do jovem para se tornar um e como ele forma um vínculo de amizade com três homens já mosqueteiros do rei, e por alguns tidos como os melhores.
Dumas fisga o leitor ao narrar o sonho de um jovem. O jovem vindo de uma família nobre que se encontra empobrecida consegue por seu pai uma carta de recomendação escrita pelo capitão de uma das companhias de mosqueteiros da guarda (dado o fato de serem conterrâneos).
Porém, seria tudo muito simples e é assim que o acaso se faz presente. Acaso é encontrar uma comitiva de um nobre vestido de preto e que ostenta na face uma cicatriz. As pessoas e o nobre insultam o jovem graças a cor do cavalo do mesmo. A necessidade do homem da época retumba, só o duelo limpará a honra. Derrota D’Artagnan é pilhado seu dinheiro e a carta que levaria a realização de um sonho são levados. A trama tem os primeiros traços assentados, pois o nobre é o braço direito do cardeal Richelieu, o Conde de Rochefort. Isso desencadeia as peripécias do jovem, como ele se hospeda no Hotel Treville, conhece os futuros amigos e como se liga a rainha Ana da Áustria (e cai na trama do cardeal e seus espiões, vai a Londres, foge de uma bela assassina, a luta contra aquele que é contra a França – o Duque de Buckingham – e a obtenção do posto de oficial da guarda real).
Por todo o exposto, o interessante é notar que é uma visão de uma pessoa do século XIX sobre o século XVII. A política mostrada, apesar de constar os nomes de pessoas do passado, é, em real, um reflexo (e porque não uma crítica) dos acontecimentos de sua própria época, cuja orientação diplomática desencadeará duas guerras mundiais.

4 ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA: “... TODAS POR UMA”.

Os trabalhos de Alexandre Dumas foram adaptados várias vezes para o cinema. Todavia a que teve mais versões foi Os três mosqueteiros, e cada uma delas teve seu ponto de distanciamento com a estória original, bem como o enfoque dado, incluso, aos personagens. Porém ao analisar o filme proposto, intenta-se mostrar que é uma visão do século XX, para algo feito no século anterior ambientado no século XVII.
A versão escolhida como base foi produzida pela Disney, e de tudo feito pela empresa zela por uma visão de mundo própria, de cunho maniqueísta. A visão explicita que há a luta do bem contra o mal, os opositores estão bem definidos pelos seus defeitos e qualidades. Mas, detalhe que não pode faltar, é o momento catártico, em que, no final, o último sempre perde.
Nesta estória as aventuras de D’Artagnan são recontadas, os anseios do rapaz são mantidos, entretanto, como o afirmado sobre a ótica do produtor, delimita-se os bons e os maus. E para fazer tanto, o período histórico não fica bem estabelecido, a inferência é feita pela dinâmica dos personagens centrais. Para enquadrar o clássico de Dumas para a grande tela, simplifica-se a trama e altera alguns pontos. Os mais gritantes contrastes estão na jornada do herói (desempenhada pelos quatro amigos), a acusação de traição dirigida ao cardeal, a demissão do cardeal pelo rei (tacitamente entendida pelo soco) e a redenção de D’Artagnan (no tocante a memória de seu assassinado pai) ao duelar e matar o cruel Rochefort.
Assim, ao refletir as necessidades de doutrinar segundo premissas maniqueístas, a obra cinematográfica reflete o mundo em mudança na época (fim do século XX). Ao manter a dualidade bem e mal fica explícita a questão que acaba de ser superada, a polarização mundial que até 1990 existia. Até o ano mencionado, de um lado estava os Estados Unidos e do outro a União Soviética, em que aquele que falava era o bom e o de que se falava era o mau. A diplomacia com múltiplos participantes, que havia no período de Dumas, ainda está para ser restabelecida por aqueles que não buscam colocar um inimigo para manter a polarização falam em hegemonia de uma única potência.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Quando se aborda temas sob a perspectiva de um filme sobre eventos históricos devem ser mantidos dois elementos em mente, o primeiro, filmes estão intimamente comprometidos com a finalidade de entretenimento, e segundo, o anacronismo, em que valores atuais são transpostos para épocas passadas e todo o conjunto de valores existente à época é substituído ou questionado (com subseqüente juízo de valor – e declarado o adotado no passado sendo equivocado).
Por fim, ao examinar tanto as posturas políticas como a narrativa delas, vê-se que o homem está comprometido como uma estória e uma história. Porque as duas estão relacionadas com ideais, e nada melhor para externar uma ideologia do que a narrativa, e, principalmente, o que a narrativa tenta ocultar. O cardeal ao agir mostra como uma pessoa pode oficiar para a força do seu país, como ao usar de idéias (filosofia) se pode moldar a história, não para trás, mas sim para frente.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. 3. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.

DUMAS, Alexandre. KUPSTAS, Márcia. Três Mosqueteiros. São Paulo: FTD, 2003.

GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: conflitos mundiais através dos tempos. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda, 2005.

HAHN, Fábio Ancré. A Perfeição do Político no Pensamento do Cardeal Richelieu (Revista Varia Scientia, v. 05, n. 09, p. 205 – 208). Cascavel: Unioeste, 2005.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Editora Revista dos tribunais, 1997.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Jardim dos Livros Editora, 2007.

PARKER, Geoffrey. Cambridge Ilustrated History of Warfare. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.

PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. 2. Ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2002.

O que John Wayne tem a declarar para o dia de hoje.

"Encha a sua mão, seu filho da puta." (o ator como o personagem Rooster Cogburn).

Relatório Da Apresentação




Tema: A Filosofia Como Instrumento do Autoritarismo.




Relatório Individual.


No dia 20 de junho de 2008 o vídeo sobre o mencionado tema foi desvelado para o público composto pela turma do 2º ano de Filosofia da PUCPR, bem como o professor da matéria de Prática Profissional e convidados.


O material didático referente ao vídeo teve sua apresentação uma semana antes.


Da reunião dessas duas peças um mito veio a tona: A apresentação concomitante ao vídeo.


A primeira mostra do conjunto foi revestida de teatralidade mínima, uma vez que a intenção era só a exibição do vídeo. Mesmo assim, o grupo se fez presente com os trajes característicos.


O vídeo mostrou sua força, apenas pequenos detalhes foram apontados quanto à presença de música no momento da fala, o que poderia interferir na compreenção. Dado o objetivo estar mirado nas estrelas, dicas para aparar as arestas deste diamante bruto foram acatadas.




Dois meses depois, dia 20 de agosto de 2008. Após negociações com várias entidades, leia-se, Sinagogas, Igrejas cristãs de diferentes linhas e a Direção de Sociologia da PUCPR. Apenas o curso de Sociologia se mostrou bravo o bastante para embarcar nessa experiência intelectual.


O horário - 20:45. Campo de batalha - sala A25. O inimigo - a ignorância.


O grupo de alunos que idealizou a temática, João, Juliana e Petter, aliado aos acadêmicos de Sociologia empreenderam combate a este mal global (ignorância). A apresentação se deu como uma batalha de três frentes: o vídeo, o caderno de atividade e a exposição do grupo. Intercalando a fala dos palestrantes, devidamente imbuídos do espírito do pesquisado, o vídeo e relacionando com o colacionado na apostila o conteúdo foi passado em revista. Missão cumprida, a operação foi um sucesso.




Relatório do Grupo.


Com o intuito de transmitir o vídeo produzido, bem como o material (caderno) didático, intitulado “A filosofia como instrumento do totalitarismo”, a equipe B-52 se dispôs a apresentá-lo para um grupo com interesse sobre o tema proposto.
O primeiro lugar procurado para a apresentação foi uma sinagoga, visto que, a temática exposta na película é de total interesse, todavia não foi possível a apresentação do material, pois, segundo as sinagogas que foram entradas em contato, estas não possuíam um grupo para atividade deste gênero.
Dessa forma, o público escolhido para a apresentação do material filosófico foi o 2º período da turma de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. No dia 20 de agosto de 2008, na sala A-25, às 20h45min deu-se início a apresentação da mostra do filme filosófico: “A filosofia como instrumento do totalitarismo” (“será possível a filosofia capaz de “praticar” o mal?”).
Acolhimento e admiração. Admiração, característica marcante na face dos espectadores, pois com uma abordagem dinâmica que prendeu a atenção do início ao término da exposição permitiu uma interação específica entre o tema proposto e quem o assistia.
Afinal, o vídeo foi aceito de forma convincente e positiva? Segundo os comentários após a apresentação sim. Elogiaram a forma em que foi transmitido o vídeo (forma teatral + filme + comentários + caderno),e o que mais foi destacado no grupo foi a visão ampla dos acontecimentos históricos, não priorizando somente um lado, mas uma totalidade e multiplicidade de acontecimentos ( referência aos modelos contemporâneos de totalitarismo = nazismo e socialismo marxista).
Por fim, à luz da apresentação do vídeo perante um público diferente ao do convívio acadêmico de filosofia deixou uma possibilidade confortante ao grupo B-52. O tema escolhido para a confecção e elaboração do material didático teve o intuito de transmitir um alerta à sociedade atual, apontar que estes acontecimentos não cessaram, pelo contrário, o que instigou o grupo a saber mais sobre o assunto, e, ter a chance de transmiti-lo a públicos diferentes.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O belo como símbolo da moral (ótica kantiana).

O tema foi proposto pelo mestrando em Filosofia Luciano, aluno orientado pelo professor Daniel Omar Perez, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
O belo pode ser símbolo da moral, ou é a expressão da superficialidade no meio social? Será que belo é apenas relacionado com prazer visual, e é ausente de qualquer conteúdo (moral/intelectual)?
Mas para responder às questões levantadas deve se perguntar a linha de pensamento adotada. Com o estabelecimento de uma linha de raciocínio, pode adotar conceitos necessários para se aproximar de uma solução. A pesquisa se pauta nos ideais kantianos.
Como Kant entende a beleza? Para este pensador a teoria estética está calcada no juízo. O juízo por sua fez pode ser anterior (a priori) ou posterior (a posteriori) a um estímulo.
Ao questionar a resposta que algo considerado belo implica em uma pessoa, nota-se que ao julgar os gostos, as reações são frutos de emoções, e emoções peculiares a cada indivíduo. Assim, o juízo da beleza é posterior (juízo a posteriori) ao ato gerador do sentimento de belo. O ponto seguinte a ser trazido a tona é como este juízo fica em relação a interferências (é desimpedido?).
O veículo capaz de avaliar os juízos, e os dados apreendidos, está na vontade.
Tal qual o exame do belo, se faz a valoração da moral. A moral, e sua existência verdadeira, está em como resta configurada a vontade. E então, vontade em Kant é a delimitação de quanto as paixões incidem na atitude, a vontade egoística mancha a conduta. A maneira de agir livre e desimpedida ausente da incidência de qualquer paixão e desapegada de posterior reconhecimento redunda em virtude. O ser racional finito, que é o homem, só atinge a sabedoria prática, ou seja, só obtém para si um sistema de valoração, se age sem paixão, com a vontade de agir daquela forma exclusivamente.
Todavia, o filósofo alemão expõe que a beleza em si não é exclusiva à obras de arte ou fenômenos da natureza. Mas sim está relacionado com o livre-arbítrio, com o uso desimpedido (ou ato voluntário não viciado pelas paixões) das faculdades, ou seja, o prazer estético está na certeza de apreciar o imaginado e entendido sem interferências. Nota seja feita, de que este prazer, esta contemplação do belo não ocorre na esfera da consciência, não é um julgamento do cognitivo mesmo com os contornos de racionalidade no vislumbre de algo tido como dotado de beleza.
Pelo exposto, beleza é um julgamento moral. Logo, meio legítimo da moral.